Sequestro do carbono no solo
Neste espaço, é possível observar troncos de madeira dispostos no chão. Esses troncos serão decompostos principalmente por fungos, que transformam a madeira em partículas ricas em carbono. Esse material passa a alimentar o solo, aumentando sua fertilidade e sua capacidade de retenção de água e nutrientes.
A força de um sistema agroflorestal está justamente na sua capacidade de aumentar o teor de carbono no solo. Atualmente, estima-se que cerca de 60% das terras do planeta estejam degradadas, em grande parte devido à perda de carbono do solo. O modelo agroindustrial — baseado no uso intensivo de adubos químicos, pesticidas, monoculturas extensivas, desmatamento e pecuária intensiva — é responsável por aproximadamente 30% da perda de carbono do solo, além de contribuir significativamente para o aumento das emissões de CO₂, segundo diversos estudos científicos.
No agroflorestal, fazemos o movimento oposto: devolvemos carbono ao solo. Isso acontece tanto por meio das árvores, via fotossíntese, quanto pelo aporte direto de matéria orgânica, como a madeira e as folhas utilizadas para alimentar os fungos e estimular a formação de solo vivo.
Fotossíntese
A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas captam o dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e o transformam em carboidratos. Para isso, utilizam a energia do sol, convertendo-a em energia química, que fica armazenada nesses compostos.
Quando consumimos carboidratos, nosso corpo libera essa energia para realizar suas funções vitais.
Diversos termos se referem a esse mesmo princípio: matéria orgânica, biomassa e açúcares — todos derivados de cadeias de carboidratos mais ou menos complexas.
Por exemplo, uma fruta contém açúcares e fibras, que são tipos de carboidratos. É a partir deles que o organismo extrai a energia necessária para funcionar.
Em essência, um carboidrato é uma cadeia formada por três elementos fundamentais: carbono (C), oxigênio (O) e hidrogênio (H).

As plantas liberam entre 30% e 40% dos carboidratos que produzem diretamente no solo, por meio das raízes. Essa energia alimenta os microrganismos do solo, fortalecendo toda a rede de vida subterrânea e disponibilizando minerais de forma assimilável.
As duas funções do Carbono no solo
As moléculas de carbono no solo exercem duas funções principais:
- Fornecer energia aos microrganismos
Açúcares e outros compostos orgânicos alimentam a vida do solo — uma complexa rede formada por bactérias, fungos, protozoários e outros organismos. Essa rede funciona como uma verdadeira usina de transformação, capaz de extrair, converter e disponibilizar minerais para as plantas. Essa é a energia da “bateria natural” do solo. - Criar estrutura para armazenar água e nutrientes
O carbono, ao se associar à argila, forma o complexo argilo-húmico, responsável pela estrutura do solo. Essa estrutura mantém a fertilidade, melhora a retenção de água e protege o solo contra a erosão. Essa é a estrutura da “bateria natural” do solo.
No fim das contas, existe uma relação cíclica simples e poderosa:
as plantas criam o solo, e o solo cria as plantas.
No início de tudo, existia apenas a rocha nua. Foi a vida vegetal que, ao longo de milhares de anos, transformou essa rocha em solo fértil, dando origem aos ecossistemas que sustentam a vida na Terra.

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