Compostagem

A compostagem é um processo biológico de transformação da matéria orgânica.

Os principais microrganismos responsáveis dessa transformação são as bactérias e os fungos.

O papel é criar um substrato estrutural e nutricional ideal para plantas.

O composto pode ser “estável”, significa que não tem mais microrganismos na pilha de composto. Nesse caso o substrato é estéril e a falta de microorganismos impede qualquer transformação devido a microbiologia. Esse tipo de composto se compra nas lojas e contém os nutrientes (minerais) necessários para as plantas crescerem.

Ao contrário , o composto caseiro contém microrganismos vivos. O papel desse tipo de composto não é dar somente nutrientes para as plantas mas melhorar o solo e facilitar a nutrição das plantas na produção de alimentos altamente disponíveis, seja nos aminoácidos vindo da necromassa dos microrganismos ou na troca de minerais, vitaminas, compostos complexos através da rede do micélio na simbiose do micorriza com a rizosfera das plantas. 

Um composto presumido estéril, por exemplo quando frio ou seco, interrompido na transformação do substrato, pode simplesmente ser imobilizado devido à dormência dos microrganismos. Nesse caso a adição do composto nos canteiros e a disponibilidade de água (chuva) e calor pode acordar os microrganismos e reativar a biologia do substrato. É importante bem manejar os tipos de microrganismos envolvidos (por exemplo evitar os patogênicos).

Existem vários mecanismos de compostagem. A técnica mais conhecida em sistema profissional é a compostagem quente ou metodologia Berkley, feita em 21 dias. 

A técnica caseira mais utilizada no jardim precisa de mais tempo e utiliza um sistema de camada sobrepondo lixo orgânico da cozinha e camada de material seco rico em carbono, por exemplo folhas.

Em apartamento, o sistema mais compacto, é a vermicompostagem.

No sistema agroflorestal , com abundância de madeira e serapilheira (rico em carbono), o sistema mais saudável, rico em micélio e econômico é a compostagem fria.

Além dessas técnicas exploradas aqui, tem milhares de variações nos mecanismos de degradação da matéria orgânica para obter um substratos nutritivos para as plantas, seja a base de microrganismos anaeróbios, seja inóculo de microrganismos eficientes em vários níveis de transformação, seja inóculo Jadam da agricultura coreana.

Compostagem quente

A compostagem quente (metodologia Berkley) se chama assim porque passa através de várias fases termodinâmicas com um aumento de calor até 70 graus devido a atividade bioquímica da microbiológica. A estimulação microbiológica é obtida pela utilização de uma matéria orgânica com proporção C/N baixo (entre 15/1 e 30/1), o que significa grande proporção de Nitrogênio, nutriente que acelera o desenvolvimento bacteriológico.  

As bactérias em ação na compostagem são dividas em 3 classes que desempenham papéis diferentes, adaptadas a diferente faixas de temperatura onde crescem;

– Psicrófilos; se desenvolvem em temperaturas até 20 graus

– Mesófilos; se desenvolvem em temperaturas de 20 graus até 45 graus. Eles incluem patógenos humanos como E.Coli, encontrados no intestino humano.

– Termófilos; se desenvolvem acima de 45 graus. Eles estão em alta proporção e podem representar uma das formas de vida mais antigas. Eles permanecem dormentes à temperatura ambiente e prosperam sob calor extremo.

As bactérias usam carbono (carboidratos) e oxigênio (presente nos carboidratos e no ar) como fonte de energia. O nitrogênio é utilizado na construção das células e de maneira geral nas proteínas, composto essencial na construção e na dinâmica de funcionamento da vida.

O Nitrogênio e a água são os fatores limitantes; mais tem nitrogênio, mas os mecanismos biológicos se desenvolvem e ativam as transformações na condição de ter o substrato de base: o Carbono (carboidratos).

A degradação aeróbica (em contato com o oxigênio do ar) é o processo de compostagem o mais rápido, eficaz e saudável. Na degradação anaeróbica as bactérias, geralmente patogênicas, utilizam o oxigênio incluído nos carboidratos. Esse oxigêniose se acha lá em quantidade menor. No processo de compostagem quente é necessário ventilar o substrato para disponibilizar o oxigênio do ar para estimular a degradação (respiração/oxidação) e transformação do substrato e matar as bactérias anaeróbicas patogênicas.

Em cada etapa, a água é essencial para manter os processos biológicos. Um excesso de água pode criar um contexto anaeróbio prejudicial à boa transformação do substrato.

O problema da compostagem quente é a produção intensa de gaz de estufa. Nesse processo vamos criar um substrato de 1/3 de esterco de animal, muito rico em nitrogênio e bactérias anaerobicas, 1/3 de material verde , rico em bacteria aeróbicas e nitrogênio e 1/3 de material marrão, rico em carbono, geralmente ligninoso . Essa riqueza de nitrogênio e macronutriente está acelerando a transformação microbiológica. O processo de umidificação e ventilação ; regar e tornar a pilha cada 3 dias em media cria uma “bomba” biológica acelerando o processo natural até a obtenção de substrato altamente nutritivo para as plantas. Essa perspectiva produtivista pode criar “dano colateral”. O primeiro é a criação de gaz de estufa. O segundo é os impactos ambientais em relação à visão reducionista, por exemplo um corte circuito dos processos holisticos naturais. Quando adicionamos composto na terra vamos importar um substrato artificial que não passou através do contexto ambiental. Os efeitos colaterais podem ser: um excesso de microbiologia que pode degradar o carbono no solo, uma homogeneização do solo superficial que tira a especifidade do que se chama “o terroir” , ou seja as propriedades do ecosistema local adaptado na produção de plantas específicas, modificar as transições de gaz entre as camadas do solos, com um efeito beneficial no curto prazo e estimular o crescimento de plantas daninhas particulares de maneira não controlável, etc.

Mesmo se o sistema agroflorestal com a força das árvores permite de controlar o efeito, o impacto pode ser negativo na possibilidade de passagem entre a estratégia econômica de curto prazo e de longo prazo.

Adição de compostagem tem o problema maior de impedir a criação de um ecosistema natural e abundante baseado na força agroflorestal (simbiose com fungos, raizes profundas, injeção de exsudos pelas plantas no solo,…). Podemos imaginar a compartimentação do sítio em área agroflorestal e área das hortaliças. A horta nesse caso recebe material de carbono da floresta para re-equilibrar o excesso de nitrogênio e outros minerais que impede a simbiose com micorriza. No sistema da Agricultura Sintrópica isso é resolvido na mistura de plantas com perenes e anuais. A limitação acontece uma vez que as árvores se tornam adultos nesses canteiros e competiçãopela luz e raízes mais e mais forte.

A compostagem Johnson/Su

Um problema da compostagem quente é o processo de oxigenação que consiste em mover cada vez a pilha , quebrando as ifas do micelio dos fungos. O resultado é um composto com pouco fungos que perde essa capacidade de se conectar de maneira otimal a rede alimentar do solo. A solução para evitar o problema é o sistema desenvolvido pelo casal Johnson-Su que troca o processo de movimentação com a inclusão de tubos de PVC cujo buracos laterais permite a ventilação e oxigenação sem mover o substrato. Esse sistema precisa um investimento inicial. Para evitar esse investimento e a utilização de PVC uma solução alternativa é a utilização de cana de bambu quebrados, solução que utilizamos no sítio Anovafloresta. O ar passa pelas canas de bambu gigante quebrado com rachaduras.

A diversidade de microorganismos obtidos com a técnica Johnson Sué é impressionante, inclusive os fungos.

Dentro de um sítio agroflorestal com ja alguns anos a quantida de folhas e ramos finos é importante. Nessa perspectiva o melhor compostagem a aplicar é a compostagem fria. É obtida pela fermentação extremamente lenta das folhas, essencialmente material de carbono, onde os microorganismos se desenvolvem somente com os microorganismos do ambiente, inclusive bacterias fixadores de nitrogênio e muito fungos que produz uma compostagem de grande qualidade. A quantidade importante de material permite de fazer uma rotação com muitas pilhas e obter uma disponibilidade de composto suficiente para a horta.