O paradigma da civilização ocidental é linear;
Cada etapa do processo utiliza muita energia e cria polução. No final os resíduos são na maioridade impossível de reciclar. Se as empresas falam de reciclagem na realidade os resíduos são queimados ou transformados em produtos de pouco valor (downcycling). O modelo linear não tem, por construção, a capacidade de reciclar. O sistema linear produz uma entropia máxima. A entropia, segunda lei da termodinâmica, corresponde a desorganização do sistema (caos) e exaustão da energia.
A única maneira de criar um sistema sustentável é implementar ciclos fechados,
- Redução do consumo de energia em cada etapa (funções de transformações eficientes e completas).
- Redução do consumo de energia no transporte entre etapas (fluxos materiais locais)
A criação de um ciclo (ou Paradigma circular) é condicionado a ECO-CONCEPÇÃO dos produtos. Pensar desde a concepção a otimização dos 4 “R” (Etapas da reciclagem…).
O Ecodesign de um produto significa pensar um produto com uma capacidade funcional junto com uma capacidade ao reciclagem, seja reforma, reutilização, modularidade, durabilidade, etc.
O ecodesign é um dos princípios fundamentais da Permacultura.
Os ciclos na Permacultura são processos dinâmicos alimentados em grande parte pela energia do sol e recursos naturais e locais. Nessa perspectiva o captor principal de energia é o sistema agroflorestal, o mais optimizado para a captação da energia solar e transformação em energia biológica (elétrica fundamentalmente, se apoiando na ligações químicas da química orgânica) . Escolher uma plataforma de desenvolvimento baseada essencialmente sobre o carbono permite a reutilização facilitada do substrato orgânico, então facilitando a reciclagem total.
Podemos considerar uma atividade como um junto de ciclos integrados. Além da produção de um resultado final os ciclos produzem também produtos derivados que alimentam outros ciclos, criando uma sinergia que aumenta o resultado global.
No diagrama seguinte consideramos um processo principal de produção de ovos junto com o manejo dos produtos derivados. Podemos ver como os produtos derivados geram um fluxo de sinergia dentro do sistema.

O output principal é os ovos, o output segundaria (produto derivado) é os esterco de galinha, que alimenta o ciclo de produção hortaliça cujo excedente de comercialização alimenta a autonomia alimentar do produtor, etc. Na filosofia da Permacultura vamos otimizar a reutilização dos produtos derivados para aumentar a sinergia global e reduzir as perdas. Nesse caso a entropia é reduzida ao mínimo. Essa visão “pratica” dos recursos deve se integrar na fase estratégica do design e não pensar “como reutilizar uma vez obtido” o excedente de produtos derivados. Aqui temos um ecodesign de uma atividade. Passamos do ecodesign de um produto ao ecodesign dos processos com um rendimento maior ao nível global.
A maioria das pessoas pensam que os ciclos fechados são processos alternativos, conceituais e uma excepção na procura da sustentabilidade.
Precisa mudar de perspectiva. Não tem sustentabilidade sem ciclos fechados. Os ciclos fechados reduzem a velocidade global da entropia, a velocidade de dissolução da energia no mundo.
A outra maneira de reduzir a entropia é imobilizar o caos e dessa maneira gelar um sistema para evitar o desperdiço de energia. O problema é que essa imobilização cria um sistema morte, sem capacidade de vida.
Um ciclo fechado dinâmico conectado a outros ciclos fechados compartilhando os produtos e serviços dos processos do ciclo é a única maneira de obter uma sistema viva, dinâmico e sustentabilidade.
A segunda operação na procura da sustentabilidade é tentar reduzir a velocidade dos processos do ciclo fechado. Não existe sistema ideal e em cada dinâmica tem desperdício de energia. Quanto mais lento o ciclo mais capacidade a armazenar energia.
Geralmente os ciclos tem fases de entropia para passar de um nível de estruturação para um nível de dispersão (entropia) que permite nova estruturação (sintropia). Por exemplo degradação das folhas (entropia) para alimentar fungos e produção de alimentos para plantas crescer (sintropia). A compostagem é um exemplo interessante , é bom de limitar a produção de gaz e obter uma combustão biológica lenta, pode ser integrado no ciclo de produção de alimentos nos canteiros. Em técnicas agroflorestais vai ser utilizado na fase inicial de criação de um ciclo (plantio no canteiro) e depois deixar o ciclo do carbono e da poda continuar a auto alimentação do sistema. A poda representa aqui também uma entropia com degradação da madeira. A produção de fito-hormona devida a poda vai reinicializar uma faze de rejuvenescimento (sintropia).
O ciclo de água tem várias fazes, o armazenamento da água da chuva em caixas é um desacelerar do ciclo para redistribuir depois a água de maneira sincronizada com as necessidades do jardim.
Esses aceleração e desaceleração da sintropia e da entropia junto com o armazenamento em sistema temporariamente fechado (ex caixa d’água) formam o processo do ciclo.
A terceira operação é verificar que todos os subprodutos do ciclo são reutilizados pelos outros ciclos conectados.
Sustentabilidade e ciclos fechados inter- conectados são uma e mesma coisa. Ciclos fechados perfeitos são a utopia da sustentabilidade. Um objetivo permanente.
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