Biorregião

Uma biorregião é um território cujos limites são definidos por limites geográficos que levam em conta tanto as comunidades humanas como os ecossistemas. De origem canadense o biorregionalismo é uma abordagem ecossistêmica que visa formar harmonia entre a cultura humana e o ambiente natural. A Permacultura com suas ferramentas de macro-design permite a construção em ampla escala de uma relação beneficial entre todos os atores desse bioma, tanto do ponto de vista do ser humano quanto de outros organismos para criar um sistema biodiverso, resiliente, específico e abundante. 

A biorregião é um vector estratégico na transformação do mundo em um planeta sustentável. Ela é definida como o objeto socioecologico unitário, “um tijolo básico”, e consistente capaz de viver em autonomia, se precisa, e se conectar de maneira natural e beneficial a outros “tijolos”. Seu poder é permitir construir um ecossistema global flexível e resiliente. A conexão entre tijolos não é obrigatória para a sobrevivência no sistema global e a autonomia de cada tijolo se liberta de tuda interdependência. Essa autonomia se construi na identificação da pirâmide das prioridades: biodiversidade, alimentação, proteção, cultura, etc.

Dois elementos essenciais na noção de bio-região são a gestão da água e as interligações em termos de fluxo e impacto. Ao fazer um macro design em permacultura, o elemento essencial é a gestão da água tanto em termos de captação como de reciclagem.

No caso de interligação entre duas biorregiões, deve ser possível garantir impacto zero na bacia hidrológica para que uma biorregião dependente em termos de água dos fluxos de outra biorregião não seja impactada por uma má gestão da biorregião fonte de água. A biorregião deve, portanto, implementar um sistema de restituição total da água e, no caso da irrigação, garantir a renovabilidade da água utilizada.

O tamanho reduzido e a modularidade das biorregiões permitem otimizar a logística do ponto de vista da sustentabilidade energética e das infraestruturas. Assim um diagrama em forma de nódulos com espinhas dorsais ligando as biorregiões e a logística interna do tipo fractal (arborescente) permite, através do tamanho limitado das arborescences internas, promover a utilização de veículos ligeiros, sejam eléctricos, assistidos, animais ou de caminhos pedestres. As interconexões do tipo backbone entre módulos (biorregiões) devido ao seu tamanho favorecem o desenvolvimento do transporte público. O sistema como um todo permite reduzir o tempo de acesso e o conforto em todas as suas dimensões, ao mesmo tempo que reduz as restrições energéticas.

A arquitetura global também permite limitar a produção de alimentos apenas às biorregiões e facilita o desenvolvimento de a zonas inteiras de conservação. As zonas de lazer e integração com a natureza sem impacto podem estar localizadas na zona 5 da biorregião ou ao longo do corredor de movimento da espinha dorsal. Este envelope de biodiversidade híbrida entre a passagem dos seres humanos e o ambiente selvagem está ligado ao corredor inteiramente selvagem que pode ser definido como zona 5 bis onde as redes tróficas estão totalmente protegidas do impacto humano. Os corredores com estruturas ao mesmo tempo circulares (zona 5 bis da biorregião) e retilíneos (corredores ao longo dos backbones) promovem o potencial da biodiversidade natural; redução das distâncias para os organismos aeros no caso de corredor circular, capacidade a migração em frente do aumento das temperaturas para espécies terrestres.