Agricultura Sintrópica

Antes de definir as especificidades da Agricultura Sintrópica (fundador : Ernst Gotsch) me parece importante de descrever o que são as fundações do sistema agroflorestal em geral, parte da Agricultura Sintrópica.

A palavra agro-florestal tem o prefixo “agro” que significa agricultura e o sufixo florestal, uma mistura entre floresta e sistema agrícola convencional. Agricultura vem da palavra grão, cultura especializada na produção anual de sementes como milho, soja, trigo, arroz, sorgo, etc. No sistema agroflorestal tropical a proporção de grão é minor. A produção de grão se acha no sul do brasil e não é um sistema bem sustentável porque baseado na produção de plantas anuais , não muito bem adaptadas as condições tropicais extremas, particularmente no sistema monocultural. Precisa então ver o sistema agroflorestal como uma mistura de qualquer tipo de plantas alimentícias, seja frutíferas, PANCs, tubérculos, hortaliças, arvore de madeira e de maneira não exclusiva com arroz, milho, sorgo, feijão, etc.

Os conceitos e técnicas do sistema agroflorestal em geral são;

  • Policultura; mistura de plantas de especies diferentes associadas com arvores. As arvores tens o papel de fertilização do solo e proteção contra o sol. A policultura cria uma sinergia biótica (essencialmente, mas não unicamente, na microbiologia do solo) e abiótica (ajuda física, por exemplo contra o vento, contra a forca do sol, …). A inclusão de leguminosa nos canteiros agroflorestais permite a produção de um nitrogênio facilmente assimilável (amônio ou aminoácidos) para as plantas, por exemplo quando a poda provoca a perda das raízes (equilíbrio entre folhas e raízes no mecanismo de fotossíntese e evapotranspiração) e liberação do excesso de bactéria fixadoras de nitrogênio.
  • Poda ; utilização dos cortes , mais ou menos triturados, como adubação verde. A poda acelera o ciclo do carbono e melhora o solo pela reintegração dos nutrientes, mantendo a umidade e desenvolvendo os fungos junto com a rede alimentar do solo. A poda aciona também fito hormonas estimulando o crescimento da arvore podada e a vegetação associada. Utilizamos plantas de serviços, produtores de biomassa, para isso, mesmo se pode ser frutíferas. Nesse jeito a reina do agroflorestal é a bananeira, que cria um solo preto e fértil, armazena umidade, cuja tronco utilizamos para adubar o solo. Em cima disso a bananeira da frutas !
  • Impacto positivo da presencia das arvores: Arvores representam a matriz de proteção do jardim florestal, manteando uma boa umidade, um habitat para os predadores das pragas, criando um equilíbrio, eleva o nível da bacia freática então disponível para plantas menores, cria um solo poroso e estruturado com grande quantidade de carbono, capaz de respirar e absorver quantidade de água da chuva sem problema de erosão. Arvores captam também a umidade ambiental, útil em caso de falta de chuva.

Comparação entre Agricultura Sintrópica e Permacultura

Muita gente tenta de comparar a Permacultura e a Agricultura Sintrópica. Neste vídeo vamos analisar as diferenças entre estas disciplinas e a posição delas na agroecologia:

Comparação entre Permacultura e Agricultura Sintrópica

Especificistas da Agricultura Sintrópica

Gênese da Agricultura Sintrópica: A Agricultura Sintrópica é essencialmente uma hibridação da técnica da Muvuca e do sistema de processo industrial essencialmente manual, mesmo se o sistema pode se desmultiplicar com a ajuda de maquinas.

Muvuca: A palavra Muvuca inicialmente utilizada para descrever uma “aglomeração ruidosa de pessoas, esp. jovens” foi utilizada par descrever o processo de juntar sementes de especies diferentes de plantas na mesma cova. Essa técnica permite utilizar a sinergia entre plantas (policultura), aumentar a densidade do cultivo, reduzir a utilização de insumos e água e facilitar a manutenção pela redução do espaço cultivado.

Processo industrial : O manejo em linha versus uma cova individual, reprenda a filosofia de densificação da vegetação e economia dos insumos e água, e adiciona a facilidade de manejar os canteiros seguindo as linhas. Um trabalho que pode ser feito em equipe, seria pela preparação dos canteiros, semeando mudas ou sementes, a poda da biomassa para o manejo da luz e a adubação verde, a coleta.

A Agricultura Sintrópica da um foco especifico nos conceitos agroflorestais seguintes;

  • Capacidade de obter uma renda desde o primeiro ano. Na construção dos canteiros um design prealável é feito incluindo plantas anuais, por exemplo hortaliças, abacaxi, feijão, etc, intercaladas em linha entre plantas semi perenes ou perenes. Uma adubação e irrigação inicial é necessária para facilitar o crescimento da maioridade das plantas na fase preliminar. De maneira a minimizar a quantidade de insumos e água uma atenção importante é dada na resistência das plantas em relação com o tipo de ambiente (fertilidade, higrometria, temperaturas). Dois critérios são considerados nesse papel; a sucessão natural com plantio das pioneiras, primeiro, por exemplo abacaxi, capaz de resistir ao sol pleno com pouca irrigação e fertilização e utilização das pioneiras, para proteger as plantas mais fracas, do sol, por exemplo mandioca. O design deve integrar considerações com a resistência das plantas e a necessidade de luminosidade, o tipo de assombramento produzido, o ciclo de vida da planta (idade, velocidade de crescimento), o estrato futuro nas diferentes fases de crescimento, a produção de biomassa (as plantas de serviço são podadas frequentemente para dar luz e adubar o canteiro), etc
  • Estratos das plantas. Cada especie tem uma posição na altura de um ecossistema particular. Emergente (precisa do sol pleno), Alto, Meio, Baixo, Rasteiro. Uma arvore Emergente pode ser uma pioneira ou crescer em ambiente protegido do sol por muitos anos antes de alcançar a luz plena. No primeiro caso esse tipo de Emergente é útil para criar uma proteção desde as primeiras fases de desenvolvimento do canteiro, devido a sua capacidade de resistir ao sol mesmo quando jovem. No segundo caso a Emergente encontrará seu lugar depois alguns anos. Existem vários classes que descrevem o comportamento em relação ao ciclo de vida ; colonizadoras (primeiras plantas a aparecer, capaz de resistir a um ambiente agressivo), pioneiras (resistentes capaz de densificar o ecossistema), secundárias iniciais e tardias (aparecem depois das pioneiras e precisam proteção nas fase iniciais, plantas de clímax (tipicas das plantas se desenvolvendo em floresta já estabelecidas). Esses duas categorizações; estratos e classes, dão essencialmente uma indicação do nível de luminosidade que as plantas precisam nas diferentes fases de crescimento. O design do canteiro agroflorestal permite de associar plantas numa configuração mais ou menos ideal para cada planta. Por exemplo o abacaxi não é uma emergente mas é capaz de resistir ao sol pleno. Isso da a possibilidade de criar abacaxi o primeiro ano sem proteção solar e produzir uma renda. Um terceiro critério deve ser considerado na arquitetura em estrato; o tipo de ecossistema original da planta. Uma mangabeira ou um cajueiro anão são emergente mais culminam entre 5 e 8 m de altura, de mesma altura que uma planta de estrato baixo/médio na Mata Atlântica.
  • Fertilização intensiva inicial com madeira. O canteiro Sintrópico é cercado de madeira, seja serapilheira ou ramos de diâmetro que pode atingir 30 cm. O primeiro papel é armazenar umidade e fertilizar a terra com carbono. Com a umidade os fungos saprófitos se desenvolvem e degradam a madeira para extrair o carbono e outros minerais uteis para o solo. O micélio dos fungos participam na construção da estrutura da terra e o transporte dos nutrientes na rede alimentar do solo. O micélio se conecta com o microbioma das plantas e alimenta os microrganismos fonte de fertilidade. A madeira não esta incorporada na terra, deve ficar à superfície mesmo se deve entrar em contato maximal com a terra. A primeira razão é a fisiologia aeróbica dos fungos. Em caso de integração na terra, particularmente com uma terra sem porosidade o desenvolvimento do micélio é impedido. Para se desenvolver fungos precisam de ar. A segunda razão é o desequilíbrio entre Carbono e Nitrogênio (C/N). A proporção ideal do C/N fica entre 20 e 30 dependendo do tipo de plantas cultivadas. Colocar madeira dentro da terra gera uma proporção de 50 e mais. Aparece então o que se chama fome de nitrogênio com uma competição alimentar entre os microrganismos e as plantas.
  • Fertilização frequente com adubação verde. O manejo de limpeza e a abertura do canteiro a luz produz um material verde linhoso rico em nutrientes e microrganismos. Esse material é cortado / picado e colocado no pê das plantas com o objetivo de maximizar a superfície de troca entre o material verde e a terra de maneira a guardar umidade e facilitar o desenvolvimento dos fungos. O material verde serve também ao desenvolvimento dos fungos Micorriza, que, a seguir, poderá se conectar às raízes das plantas e ajudá-las a multiplicar a exploração do solo em água e nutrientes. 90 % das plantas participam da simbiose com fungos micorriza (endomicorrizas nos trópicos) uma ferramenta essencial para plantas captar água e nutrientes como fosforo e nitrogênio.
  • Utilização das bananeiras. A inicialização do canteiro Sintrópico pode ser feito com uma cobertura de troncos de bananeiras cortados longitudinalmente. O tronco da bananeira contém uma grande quantidade de nutrientes e água numa forma gomosa resistente a evaporação, garantia de melhor permanência da água nos canteiros.
  • Estrategia de produção e manejo da adubação verde. Existem várias maneiras de produzir a biomassa verde para fertilização dos canteiros. O eucalipto , a gliricidia, a bananeira são muito utilizados. O problema é ter uma quantidade suficiente de biomassa nas primeira fase de desenvolvimento. Nesse caso pode ter uma importação de material verde de outro lugar no começo. Pode ter também uma utilização dos caminhos de passagem entre os canteiros para produzir capim ou leguminosas a crescimento rápido, fonte de biomassa.
  • Nota: a inicialização do canteiro sintrópico se faz com uma adubação orgânica (compostagem) rica em nitrogênio, C/N entre 15 e 30, na linha central do plantio, numa largura de 15 cm. Essa adubação, única no ciclo de vida do canteiro, segura o crescimento das anuais tipo hortaliças exigentes em nutrientes e mudas em situação de estresse (transplantação). O problema da adubação rica em nitrogênio é o desenvolvimento dos microrganismos de tipo bactéria com mineralização do húmus e redução da quantidade de carbono no solo (a respiração é uma degradação biológica do carbono do húmus em dióxido de carbono). Essa perda do carbono da terra significa perda do substrato necessário para a vida se manter e a estrutura da terra ser capaz de manter a fertilidade. O sistema agroflorestal ao contrario tem como objetivo de enriquecer o solo com carbono para criar uma terra preta, profunda e fértil, cheia de vida. Então a utilização de fertilização nitrogenada deve ser feita de maneira consciente, no começo do canteiro e em caso de plantio adicional de hortaliças exigente em nutrientes.
  • A questão mineral : o solo tropical, com dominância de latossolo, tem uma densidade de minerais leve. E possível adicionar pó de rocha para criar um potencial mineral adicional. Esse tipo de adubação não é um insumo, é uma restituição mineral participando ao ciclo natural de degradação da rocha. Significa que não tem impacto negativo no solo. Deve ser considerado como um reequilibro natural do solo, parte da perspectiva da biomimética.