Criar uma horta com a Permacultura

A Permacultura utiliza a abordagem sistêmica para a criação de paisagem otimizada para a produção de alimentos. Aqui é um exemplo desse processo de criação duma horta. A ideá é começar sem experiencia (sobre as plantas mais adaptadas ao solo, mais resistente as pragas locais, aproveitando melhor o sol e a chuva nesse lugar, sobre o melhor design adaptado no local, etc.), utilizando só as informações teoréticas do Internet e praticas dos fazendeiros locais, a pesquisa de informação, a experimentação e a observação.

Contexto local

Estamos no Sul da Bahia, definido como tropico úmido, embora que pode ter períodos como El Niño, que produze uma seca por mais que um ano. A umidade não é regular por causa da falta de vegetação ambiente. Depois de 2 dias com um sol muito forte a terra seca rapidamente, fenômeno agravado pela brisa do mar (ficamos a 1 km do mar).

O solo é muito pobre devido a erosão consecutivamente a uma agricultura não sustentável tipo corta/queima e desistência. Só fica a camada de barro com ervas daninhas e alguns arvores jovens crescendo ao redor do terreno. A terra falta de mateira orgânica e o barro quando seca pode ser duro com uma piedra.

O papel é duplo; criar uma horta orgânica e regenerar a terra com uma solução de baixo custo. Não vamos levar estrume de gado curtido, o que é uma solução simplística e não sustentável (depleção das pastagens de origem e solução de alto custo não autossuficiente) mais vamos regenerar a terra com uma serapilheira de mateira orgânica nos canteiros no primeiro tempo e esterco de galinha curtido ao pé das plantas em segundo tempo. Húmus de minhoca sera utilizado em casos particulares.

Esta horta é localizada na zona 3 e poderia ser também na zona 2 (um pouco fora do centro da fazenda de Permacultura que é zona 0). Isso significa que vamos experimentar e identificar plantas que são resistente sozinhas ao ambiente porque a horta não vai beneficiar duma atenção frequente (a optimização da logística vai querer que a gente cultiva plantas mais domesticadas perto do centro da fazenda).

A praga principal é o Caramujo Africano, particularmente em um contexto onde a regeneração da terra vai ser feita com um serapilheira orgânica de folhas (mulching), o que os caramujos africanos adoram.

Horta versão 1

Essa versão é mais um protótipo. Esperamos muitas falhas nessa versão, erros devidos ao design, ao escolho de plantas, ao sistema de manutenção…

Design inicial

O terreno tem uma declinação de 7/8 graus. Vamos fazer curvas de nível para aproveitar a água da chuva e evitar a erosão. O jardim vai ter montes e valas em contornos.

O solo é de barro, pobre, pesado e que pode ser muito duro com a seca, com pouco de matéria orgânica, resultando das técnicas não sustentável de corta e queima. O papel inicial vais ser de melhorar a estrutura do solo e plantar nos montes onde a terra é mais leve para ajudar o desenvolvimento das raízes e tubérculos. Isso significa que vamos precisar de irrigação porque as montes vão se desidratar rapidamente. No futuro podemos considerar de reverter a situação uma vez que o solo é regenerado e plantar nas valas, mais férteis e úmidas. A criação das valas vai permitir de extrair a camada superficial mais fértil e colocar ela nos montes.

O terreno inclui a presencia de tiririca e varias plantas invasivas pioneiras. O escolho é de guardar 90% dessas plantas para manter uma cobertura verde e ajudar a regeneração do solo. Tiriricas mostram um poder de fertilização excepcional para uma planta que não é uma leguminosa (é importante de saber que os tubérculos da Tiririca têm uma hormona de desenvolvimento das raízes que pode ser utilizada para fazer propagação vegetativas com estacas).

O tereno é também localizado dentro de um local cercado com varias arvores; um consorcio de caju, inga, manga e dendê juntos (vais ser interessante de ver quem vai ganhar a competição ou se eles vão conviver juntos) de um lado e dendê do outro lado. Tem raízes que penetram no solo da horta e vamos observar o impacto delas. O local não é realmente protegido da brisa do mar e vai precisar de criar um quebra-ventos com plantas de pequena altura (2 a 3 metros). As plantas que vamos utilizar são ; Anapie, Guandu, Algodão, Milho e vamos transplantar aqui um Xandó (ALLAGOPTERA ARENARIA) que é uma planta protegida pela Ibama na Bahia, uma pequena palmeira extremamente resistente na seca e que produze frutas que a gente e o animais gostam. Essas plantas vão proteger a horta do vento que pode ser corrosivo (brisa do mar) e sacador no verão.

O terreno é localizado na zona 3, o que significa que vai ser visitado pouco no futuro e precisa de ser sustentável sem a presencia frequente da gente. O terreno é localizado embaixo do galinheiro e vai aproveitar o gotejamento do adubo das galinhas (água da chuva se infiltrando no solo da horta). A torneira de irrigação da horta fica no galinheiro (zona 2). As plantas cultivadas aqui são plantas resistente que precisam de observação e manejo só de uma a duas vezes por semana ate uma vez por mês dependendo da temporada e do período do planto e da  colheita.

A gente fiz adubação com esterco de galinhas (curtido ou não curtido dependente das plantas) em varias lugares do local. Feijão do porco foi plantado em tudo lugar para criar um placenta de proteção (do sol) e de fertilização.

Uma linha de cana de açúcar e de algodão fui plantada em frente do galinheiro, para proteger o galinheiro da brisá do mar e aproveitar a fertilização vindo do solo do galinheiro.

Uma cerca fui feita com ramos de bambu e buganvílias (muito espinhosa) para proteger a horta das galinhas.

As plantas seguintes foram plantadas;

  • Algodão
  • Milho
  • Cana de açúcar
  • Tomate
  • Berinjela
  • Guandu
  • Aipim
  • Abacaxi
  • Abobara
  • Anapie
  • Couve

O papel da versão 1 era de

  • experimentar o design
  • regenerar a terra
  • identificar as plantas resistente para uma zona 3

Video de presentação da versão 1

Observações sobre a versão 1 (feedback)

Aqui são os feedback dessa versão, o que funcionou e o que não funcionou.

A gente deixou os feijões do porco (o feijão do porco e descrito como uma leguminosa que não aumenta a acidez do solo) madurar ate a produção do vagem. O problema é que o nitrogênio se concentra nas sementes e a gente perdeu o beneficio da fertilização por nitrogênio. Essa escolha foi feita no objetivo de produzir semente de feijão do porco para futur utilização em outros lugares. A escolha deve integrar também o fato seguinte; geralmente os feijões são plantados depois do planto das plantas comestíveis para manejara a competição dos raízes. Nosso caso a prioridade fui de proteger o solo do sol (período El Niño com muita seca no Nordeste) e criar uma camada de proteção contra o sol. Também os feijões devem ser cortados no período da floração para evitar a punção do nitrogênio para as sementes.

O design fui de fazer uma vala um monte, um vala um monte, etc, cada vez de mesma largura. O resultado foi um inconforte de passeio. A próxima versão vai alargar os caminhos de 50% e alargar os montes de 100%. Os caminhos vão permitir de manejar a metade de cada monte acima e embaixo e vão ser mais largos para mover.

A cana de açúcar perto do galinheiro parece crescer bem e multiplicar;

cana-de-acucar-perto-do-galinheiro

O milho que foi plantado com esterco funcionou bem mais tenha problema de enraizamento, por causa de solo compactado.

As galinhas são animais de corpo frágeis mais sabem como achar um passeio dentro dos ramos, especificamente quando os ramos começam a se degradar.

As únicas plantas que sobreviveram foram

  • Berinjelas
  • Cana de açúcar
  • Algodão
  • Tomates
  • Aipim
  • Guandu
  • Abacaxi
  • Milho
  • Anapie

Os pes de tomates sobreviveram mais não tenha suficiente fertilização para produzir tomates.

O Anapie cresceu normalmente.

Os pés de abobara foram comidos pelos caramujos quando jovem.

Couve não cresceu por falta de adubo suficiente.

As folhas de aipim foram comidas pelas galinhas que acharam um passeio através da barreira de ramos de bambu e bougainvillias. As galinhas soes animais que precisam ser controladas e que não podem entrar numa horta o vão destruir tudo.

Soluções para versão 2

A prioridade fui de criar uma cerca eficiente para proibir as galinhas entrar. Uma telha de plástico de  1 metro de altura foi utilizada. A vegetação, um pouco de terra superficial e os ramos da cerca da versão 1 foram tirados no lado exterior da horta, para limpar e colocar a cerca, criando uma zona com mateira orgânica ao redor da horta onde a gente planteou Guandu como primeira linha de quebra-ventos (foto embaixo). Os ramos de buganvílias e bambu são utilizados para proteger das galinhas  a terra e as sementes de Guandu como pode ser visto na foto (na esquerda). As galinhas geralmente não voam acima da tela. Se acontece, as galinhas pode ter as plumas duma asa cortada para impedir o vôo.

cerca-para-galinhas

As valas e montes foram reestruturadas como descrito antes reaproveitando o circuito de irrigação existente (duas mangueiras ida e volto por cado canteiro/monte).

valas-e-montes-restruturadas

Os bordes das montes são agora protegidos do sol com papelão porque folhas não ficam la.

Os abacaxis foram transplantados em espaços que não precisam manutenção o adubação, assumindo a capacidade deles de crescer em qualquer lugar e precisando acesso só uma vez por ano

Os pés de aipim que sobreviveram foram transplantados quando ficaram nos caminhos.

Adubação com esterco de galinhas curtido foi feito em cado canteiro. Uma camada de mulch (cobertura morta o serapilheira) fui colocada sobre os montes para proteger a camada de adubo e a terra das chuvas fortes e do sol.

As Tiriricas foram tiradas com outras plantas daninhas.

A linha de Anapie vai ser enforcada com Guandu. Na foto em baixo onde tem folhas mortas brancas de bambu.

anapie-renforcado-com-guandu

Um pequeno lago artificial vai ser criado (ver localização digital na foto embaixo) no meio da horta para atrair predadores de insectos e umidificar / refrescar o local. Vamos experimentar o nível de evaporação com a brisa do mar e monitorar o quebra ventos dependente da rapidez de diminuição do nível de água .

construcao-de-um-pequeno-lago-projeto

Mais cana de açúcar vai ser plantado utilizando esterco de galinhas.

Inhame Cara vais ser plantada na borda onde tem as arvores para aproveitar a estrutura delas. Inhame Taro vai ser plantado nos montes como jiló e maxixe  que são plantas bem adaptadas na Bahia.

Abobara poderia ser plantada com um rede de proteção quando jovem  mais o desenvolvimento da planta não se adapta bem ao design linear em curvas de nível.

Observações sobre a versão 2 (feedback)

A escolha para plantar nos montes, e não em valas considerando a influência do clima nos próximos anos (La Niña) comprova uma boa escolha. Aqui uma foto do jardim feito o 16 de novembro de 2016, durante uma chuva tropical ininterrupta. A chuva é persistente ao longo do tempo e só uma vez precisava de regar as plantas. O efeito positivo desse tipo de fenômeno é o transporte dos nutrientes vindo do galinheiro (esterco de galinha). E claro que se o processo de lixiviação ocorre com frequência sera importante de cuidar da presencia de serapilheira e duma densidade de vegetação cuja raízes e sua rizosfera vão guardar os nutrientes.

20161116_091305

Podemos ver aqui a importância de fazer as valas seguindo as curvas de nível para reduzir a erosão.

Os feedback sobre a versão 2 vão ser feito ao longo do tempo, verão 2016 / 2017 ; o que funcionou e o que não funcionou…

Feedback verão 2016 / 2017 e soluções

Identificamos agora as plantas que resistam as pragas ; algodão, berinjela, aipim, cana de açúcar, tomate, arugula e plantas de suporte; guandu, feijão do porco, capim elefante para quebra ventos. Vamos adicionar maxixe na próxima etapa.

A observação monstra que a cobertura orgânica não fica nos canteiros, deixando eles abertos ao sol que desidrata e queima as plantas. A solução simplística seria de aumentar a periodicidade de irrigação o que é a pior solução que se pode imaginar (lixiviação, salinização, gasta de água, diminuição da biodiversidade no ecossistema do sol quando utilizando água com cloro da cidade, etc.). A solução perenal vai ser de criar bordas para manter as folhas.

Analise das alternativas;

Borda de barro; Pros : estabilidade, possibilidade de se apoiar sobre a borda para acessar as hortaliças, criação duma interface abiótica resistente que pode receber uma fauna que vai regular o ecossistema.  Cons : labor importante para levar a borda, necessidade de cobrir a borda com vegetação para evitar erosão.

A construção duma borda de barro deveria ser feita durante a construção dos canteiros utilizando o barro do subsolo para evitar de levar o barro de fora e reduzir o labor

Estrutura de madeira; Pros: criação rápida. Cons: utilização de biomassa que pode ser útil em outros lugares e propensão a se degradar rapidamente,

A estrutura de madeira deve ser considerada uma solução temporária utilizada para a criação duma borda permanente; por exemplo a criação duma borda viva.

Borda viva; Pros: borda permanente, aumenta a biodiversidade do canteiro (na rizosfera e na parte aérea), produze biomassa, tem uma altura monitorável, aumenta a fertilidade. Cons : precisa tempo para se estabelecer.

A borda viva deve ser feita com plantas não invasivas tipo cespitosa (em cluster, que forma um buquê) de pequena altura. O capim colonial é a planta ideal para isso, pode ser podado na altura adaptada aos requerimentos climáticos (mas alta no período de seca para manter umidade, mas corto no período de chuva para ajudar transpiração do solo). A poda pode ser utilizada como comida para coelhos, galinhas, patos, o para cobertura morta,  compostagem, lombricompostagem.

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